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Mineradora dos EUA compra Serra Verde por US$ 2,8 bilhões e coloca o Brasil no centro da disputa global por terras raras

Operação envolve a única produtora em escala fora da Ásia de terras raras magnéticas críticas; negócio reforça a corrida estratégica entre Ocidente e China

Redação
Por: Redação Fonte: Redação de Jornalismo VibeJampa
22/04/2026 às 12h03

O Brasil entrou de vez no mapa geopolítico dos minerais críticos. A mineradora americana USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Serra Verde, em um acordo de aproximadamente US$ 2,8 bilhões entre dinheiro e ações. A operação dá à empresa dos Estados Unidos o controle da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás, e reforça a estratégia ocidental de reduzir a dependência da Ásia, especialmente da China, na cadeia global de terras raras.

A Serra Verde tem hoje um peso singular nesse mercado. A companhia é apresentada pela própria empresa e pela compradora como a única produtora em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro elementos magnéticos de terras raras considerados mais estratégicos para a indústria moderna: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses materiais são fundamentais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, sistemas de defesa e outras tecnologias de alto valor agregado.

O acordo foi anunciado em 20 de abril de 2026 e prevê a aquisição de 100% da Serra Verde Group. Segundo a USA Rare Earth, a transação será feita com uma combinação de US$ 300 milhões em dinheiro e cerca de 126,8 milhões de ações da companhia americana. Após a conclusão do negócio, os atuais acionistas da Serra Verde devem ficar com cerca de 34% da empresa combinada. A expectativa informada ao mercado é de fechamento no terceiro trimestre de 2026.

Na prática, o negócio vai além de uma simples aquisição mineral. A USA Rare Earth já vem montando uma cadeia integrada “da mina ao ímã”, com operações de mineração, processamento e fabricação nos Estados Unidos e no Reino Unido. A incorporação da Serra Verde fortalece esse plano porque acrescenta ao grupo uma fonte relevante de terras raras pesadas e leves fora da Ásia, em um momento de crescente preocupação dos países ocidentais com segurança de suprimento.

A relevância estratégica do ativo goiano está justamente no tipo de produto que ele entrega. A Serra Verde informa que sua operação produz um concentrado com alta presença de Nd, Pr, Dy e Tb, elementos especialmente valorizados porque são usados em conjunto na fabricação de ímãs permanentes de alta performance. Esses ímãs são considerados essenciais em setores ligados à transição energética, à eletrificação da frota, à indústria aeroespacial e à defesa.

Outro ponto que aumenta o peso do negócio é o momento geopolítico. A China continua dominante no refino e processamento de terras raras, e a criação de cadeias alternativas tem se tornado prioridade para governos e empresas do Ocidente. A aquisição da Serra Verde é vista pelo mercado como uma resposta a esse cenário, justamente por deslocar parte dessa capacidade estratégica para fora do eixo asiático. Barron’s destacou que a China responde por cerca de 85% da capacidade global de processamento desses materiais, o que ajuda a explicar o interesse crescente por ativos como o de Goiás.

A operação brasileira também já vinha ganhando importância antes da venda. A Serra Verde entrou em produção comercial no início de 2024 e projeta alcançar capacidade de cerca de 6,4 mil a 6,5 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras até o fim de 2027, com vida útil estimada da mina em 25 anos. A empresa afirma ainda que a dimensão do recurso pode permitir uma ampliação adicional da produção antes do fim da década.

Paralelamente à aquisição, a Serra Verde também firmou um contrato de offtake de 15 anos com um veículo de capital americano, garantindo preço mínimo para parte de sua produção de terras raras magnéticas. Esse detalhe mostra que o interesse dos Estados Unidos não está apenas na posse do ativo, mas também em assegurar fluxo estável de fornecimento para a própria cadeia industrial.

Do ponto de vista brasileiro, o negócio recoloca o país em uma posição estratégica no debate global sobre minerais críticos. O ativo está em Minaçu, em Goiás, e passa a integrar uma agenda internacional em que mineração, transição energética, defesa e política industrial caminham juntas. Mais do que exportar matéria-prima, o desafio para o Brasil tende a ser transformar essa vantagem geológica em participação mais robusta nas etapas de processamento, refino e manufatura tecnológica. Essa leitura é uma inferência a partir do papel da Serra Verde na cadeia e do modelo integrado buscado pela compradora.

A negociação reforça uma mudança importante no setor mineral: terras raras deixaram de ser apenas um tema técnico da mineração para se tornar assunto de soberania econômica, indústria de defesa e disputa por liderança tecnológica. Com a venda da Serra Verde, o Brasil deixa de ser apenas uma promessa nesse mercado e passa a ocupar um lugar concreto em uma das corridas estratégicas mais importantes da economia global.

Se tá movimentando a Paraíba, tá na Vibe

 

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